A VERDADEIRA IGREJA DE CRISTO
Dom Francisco Alves Alves Feitoza
Delegado Patriarcal da Santa Igreja Ortodoxa Grega Tradicional
VERBIS
A unidade da Igreja Ortodoxa pressupõe e implica na própria essência da verdade. A verdade é essencialmente una e indivisiva. A sua realidade necessariamente impõe a adesão da nossa inteligência sem paradoxos e do nosso coração sem sentimentalismos outros.
Os princípios ontológicos da Santa Igreja Ortodoxa Grega Tradicional e da nossa razão impõem a permanência da unidade da verdade, em qualquer terreno em que ela se situe. Por isso mesmo a verdade foge ao relativismo e à dependência. E ela independe do tempo, do espaço e dos homens. Pois, na realidade, a que se reduziria, se, se, ela devesse submeter-se ao capricho mero dos homens, às modificações dos momentos históricos ou dos lugares ou dos espaços?
É por isso que a verdade não é uma criação da inteligência do homem. Os olhos humanos podem divisar astros e amplidão dos espaços, por si sós ou com auxílio de telescópios poderosos e de longo alcance; não podem, porém, criá-los nos espaços vazios e caóticos.
Nem o próprio Deus cria a verdade, sendo Ele consequentemente a verdade eterna, infinita, ilimitada e absoluta e, por isso mesmo, a verdade é singular e absoluta. Foi por isso que Nosso Senhor Jesus Cristo não disse: eu sou o pregador da verdade, mas afirmou simples e categoricamente: "Eu Sou a Verdade" (cf.Jo.14:6). A própria verdade científica que é a aquisição humana (não criação do homem, porém, mera descoberta do homem), exige essa unidade intangível sem o que seria impossível a existência da ciência e da tecnologia. A multiplicidade aparente da verdade científica existe enquanto os homens tateiam o terrenos especulativos das hipóteses. Quando, porém, eles conseguem romper as camadas de areias movediças das hipóteses e tocar a rocha eterna da verdade, a unidade indispensavelmente se impõe com uma soberania absoluta e conclusiva.
Nem seria possível construir a ciência sem esse postulado essencial da verdade. De onde se depreende, como a verdade religiosa, revelada por Deus, a exigir essa profunda unidade. Já não se trata apenas desta ou daquela opinião de modo que se deve prestar a Deus um culto, mas da Revelação do do próprio Deus, ditando diretamente ou pelos seus enviados o modo pelo o qual quer ser cultuado.
Deste modo ninguém, sobretudo, pode ou deve presumir tenha o direito de escolher a doutrina religiosa ao seu capricho, para servir a Deus, coisa que Ele jamais aceita.
Só uma religião revestida de todas as garantias sobrenaturais da Revelação pode seguramente impor ao homem o verdadeiro caminho a seguir.
É coisa tão natural ao nosso espírito, à nossa arguta inteligência, que jamais poderíamos imaginar que a verdadeira religião não implicasse na falsidade das demais. Só uma religião pode e deve ser verdadeira e só é verdadeira aquela que conserva bimilenarmente, através dos séculos e dos espaços, a mais perfeita unidade não litúrgica e sim doutrinária.
Sob esse aspecto, a Santa Igreja Ortodoxa Grega Tradicional apresenta a fisionomia da mais intangível e perfeita unidade. Nós que nos acostumamos (e muitos de nós somos contumazes com a inedoneidade) por termos uma percepção falha a respeito da Verdade e contemplamos sobranceiros e obsequiosos as instituições simplesmente humanas no desenrolar dos séculos, sabemos que jamais puderam conservar e preservar essa nota dominante. Até mesmo este sinal de precariedade das coisas dos homens deveria servir como índice evidente para podermos distinguir o que é humano do que é divino.
A História Mestra dos factos e dos acontecimentos diuturnos ai está para testemunhar a eterna versatilidade das coisas humanas que aparentemente parecem divinas.
Os sistemas filosóficos nasceram, floresceram e passaram como um vento impetuoso. As especulações e hipóteses científicas se multiplicaram com os mais variados aspectos. A matéria, a vida, as forças cósmicas, a partir de Demócrito, Leucipo, Epicuro, Anaxágoras, Sócrates, Platão, Aristóteles, até Moleschott, Vogt, Buchner, Haeckel, Meyerson, De Régnon, Mir, Laplace, Faye, Ligondé, Moreux, Lachowiski, passaram pelas mais estranhas experiências e concepções. Gimmelli expôs admiravelmente todas as hipóteses sobre a vida no seu belo livro da apologias: "Os novos horizontes da biologia" e conhecido douto com sua sabença hodierna reuniu os mais variados aspectos da ciência atual sobre o mundo no seu colossal e brilhante estudo - "Da criação à era atômica".
Mais como ademais, poderá a verdade religiosa, revelada por Deus, submeter-se a essa versatilidade contínua, às mutações constantes das coisas humanas? Para que a sua divindade brilhasse, para que sua verdade inconcussa se impussesse à inteligencia humana, era imprescindível que ela permanecesse una e imutável através dos tempos.
E é este sem sombra de dúvida, o característico primordial da doutrina infalível da doutrina da Santa Igreja Ortodoxa Grega Tradicional.
Para quem é sensato e raciocina, com serenidade e transparência, sobre a multiplicação das denominações protestantes conhecidas como evangélicas, é impossível e heterodoxo admitir a verdade no protestantismo. As múltiplas divisões, fragmentações e cismas estão ai pela desinteligência dos seus chefetes e o egoismo açoberbado de muitos deles.
Só no Congresso do Panamá em anos recentes, havia representações de 360 seitas e denominações protestantes existentes na América latina. . Hoje as estatísticas que possuimos dão conta da existência de 280 seitas diferentes na Colômbia, 1467 seitas diversas no Brasil e 1030 seitas na Argentina. A "colcha de retalhos" de Martinho Lutero, de João Calvino, de Ellen White, de Guilherme Miller, de Ulrico Zuínglio, de Henrique VIII, de Melanchton, de Carlosdadt, Ecolampádio, Bucer e Munzer, continua na oficina em que as divisões do orgulho e da ambição humana vão ajuntando ainda outros retalhos.
Não é, pois, de admirar que o fruto dessa absurda divisão de doutrinas e igrejas denominacionais seja portanto, o ceticismo de milhões de almas. Na Inglaterra, o berço da Igreja Anglicana Episcopal, a divisão e contradição protestantes criaram cerca de de 150.000.000 de pessoas que dizer "não ter nenhuma religião particular" e nos Estados Unidos, cerca de 165.000.000 se dizem ser ateus práticos.
Mas, talvez mesmo essas múltiplas seitas e facções separatistas se transforme em um grande motivo de proselitismo fanatizado. Poderíamos afirmar sem prejulgamentos que é o mesmo um motivo real , quando lemos na publicação protestante "World Christian Handbook", que, na Colômbia, as seitas lutam, entre si, numa espécie de competição.
Não se pode negar que está havendo uma verdadeira invasão protestante na América. Essa invasão como diziam os padres Leonel Franca, Júlio Maria e Damboriana, grandes polemistas e especialistas neste assunto, pode caracterizar-se por diversos períodos. A vinda ocasional de imigrantes das seitas durante o Século XIX até o Congresso do Panamá em 1916. Do Congreso de Panamá até o Congresso de Montividéu em 1925, com fundações de Seminários "Bíblicos" em cinco nações e editoras protestantes em cinco paises: do Congresso de Montividéu até o Congresso de Madras. Do Congresso de Madras até os dias de hoje. Pelas circunstâncias políticas, as seitas precisavam de um novo campo para empregar o seu pessoal e o seu dinheiro.
Escolheram para infelicidade da Verdade Ontológica e Metafísica a América Latina. E as estatísticas confirmam o seu tremendo esforço para multiplicar prosélitos aqui no Brasil Poderíamos, porém, afirmar como o grande sacerdote Eduardo Ospina: Não tememos o protestantismo, porque para fazer protestantes a milhões de católicos ortodoxos não bastam todos os dólares do mundo, nem mesmo nas mãos de um sectarismo metódico e intransigente destinado e provido de técnicas de propaganda. Mas, tememos e muito a falta de instrução de muitos ortodoxos (tanto Orientais como Ocidentais) que vivem em comunidades imigrantes fechadas para o diálogo e a união que ainda se não bastassem, nada tem feito para a glória de Deus e a grandeza da Ortodoxia, verdadeiras mariposas comunitárias que vivem em situação vegetativa e ainda são obstáculos e barreiras para as Igrejas Ortodoxas Nacionais que querem trabalhar e difundir a unica verdade: A ORTODOXIA.